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Vem aí o 11 Encontro de Escalada de Londrina! Dias 14 e 15 de Agosto. Participe!


De mochila pela Argentina/Chile
viagens alternativas



 

De mochila pela Argentina/Chile

 

 

 

 

 


 

Venho tentando já algum tempo realizar uma viagem de bicicleta pela Carretera Austral no Chile. Nesse final de 2008 parecia que tudo ia dar certo e conseguiria realizar meu sonho. Cheguei ao início de dezembro com o estresse me sacudindo. Precisava descansar com urgência. Contratempos, minha bicicleta uma semana antes não ficava pronta. Susi que iria comigo, também uma semana antes levou um tombo de bicicleta. Passei o final de semana que antecedia a viagem debruçada nas anotações, mapas, relatos e guias. Ruminei e decidi deixar o projeto do pedal para o ano seguinte ou quando fosse pra rolar realmente. Necessitava viajar sozinha. Precisava ficar longe de tudo e estar mais perto de mim.

Comecei a correr atrás das coisas, passagens, preços, equipamentos e os detalhes da viagem. Sei que quando se planeja antes mais barato fica. Eu realmente não tinha condições de pensar nisso antes de dezembro. Decidi ir de ônibus já que as passagens de avião em dezembro não cabiam no meu bolso.

A empresa de ônibus Crucero Del Norte passa por Cambé e que vai até Buenos Aires seria meu destino inicial, preço de R$180,00. Seria o melhor jeito de ir pra Argentina. Planejei passar em Buenos Aires e depois Bariloche. Em seguida iria acampando pelos lagos da região. Muitos locais eu já conhecia, quando fui de bicicleta e sabia onde havia camping e o tipo. Se possível atravessaria para o Chile e ficaria um tempo lá, na região dos lagos. Talvez encontrasse meu amigo Ike que estava por lá.

Decidi ir de Londrina para Foz do Iguaçu. Queria rever um cara o qual tive uma história no passado e que  ainda meu coração batia, apesar de lento. O passado ficou para trás e parti para Puerto Iguaçu com o coração mais tranqüilo e livre. Comprei passagem de Puerto Iguaçu a Buenos Aires por $185 (pesos). Tinha mais em conta até por $150, mas fiquei com receio de não ter passagem e comprei no primeiro guichê que passei. Minha mochila estava pesada, quase 18 kg fora a pequena que levava na frente. Para o meu peso e estatura era bem difícil de carregá-la.

Parti às 11h30min horas e cheguei a Buenos Aires as 05h30min da manha em pleno dia 31 de dezembro! Fiquei esperando as horas passarem para eu poder ligar para minha amiga que lá se encontrava. Quando chegava perto das oito da manha liguei pra Marisa, ela estava acordada aguardando minha ligação. Super atenciosa me disse como chegaria até o bairro que estava, poderia ir de táxi ou de ônibus (transporte coletivo). Fiquei pensando... Se quero rodar o mundo de forma alternativa preciso saber me movimentar em cidades que não conheço. Peguei o ônibus e deu tudo certo!

Encontro com Marisa foi gratificante, ela é como se fosse minha irmã, brincamos dizendo que somos irmãs de alma. Tomamos um café e ela decidiu me levar par a casas de seus pais que residem ali próximo em Zarate.  Aceitei!

Nessa viagem aceitava tudo que me ofertavam, engraçado, geralmente o meu excesso de educação não permite eu falar sim com tanta rapidez, mas nesses 15 dias eu estava aberta para as possibilidades. Que isso me traga o desejo de sempre me manter assim.

Fiquei o dia 31 com a família de Marisa, conheci seus pais, seus tios e primos. São maravilhosos! Descobri com a família de Marisa que a partir desse ano o ensino de língua portuguesa nas escolas  da Argentina será obrigatório e que professor ganha muito mais que no Brasil.

 No dia 01 de janeiro de 2009 partia para Bariloche, cidade que eu particularmente gosto muito. Bariloche possui uma energia singular. Paguei na passagem os salgados $247, geralmente não passa de $200. Também, fui viajar em pleno dia 01de janeiro!

Dia 02 de janeiro, próximo das 10 da manha chego a Bariloche. Um fuso a menos que Brasil. Vou direto ao Camping La Selva Negra, que eu já conhecia. Cheguei lá e o valor estava $30! Super salgado, eu havia pagado anteriormente $10. Como subiram os preços na Argentina. Como iria ficar dois dias ali, ele me fez por $27. Deixei minhas coisas no camping e fui para o centro da cidade procurar o Hotel Flamingo onde estavam hospedados dois amigos, a Adriana e Junior. Não os encontrei, uma pena.

Dia 03 de janeiro resolvi subir o Cerro Otto de teleférico. Paguei $50 e gostei da vista lá de cima. Fiz umas caminhadas até algumas elevações ali por perto. Aproveitei e fui até o centro de Bariloche conhecer o museu Patagônio que da outra vez não tinha ido visitar.

Dia seguinte acordei cedo e parti para o Lago Vilarino de ônibus. Paguei $24 pela empresa Albus.   Que saudades desse lugar! Tinha passado por ali de bike e não tinha acampado ali. Dessa vez iria acampar! É um dos locais que existe camping livre. Nada se paga para ficar ali. Famílias costumam ficar nesses campings livres dentro dos parques nacionais, talvez pelo custo que é zero. O tempo começou a mudar e ventava muito. A maioria das pessoas que acampam ali quebra galhos das árvores, até toras inteiras para fazer fogo. Não há nenhum controle por ali disso, pelo menos eu não vi. Então eu tinha que encontrar um lugar que a fumaça não pegava em mim. A única opção era ficar na beira, próximo ao lago e ali a sensação térmica era pior. O vento forte me fez ficar escondida dentro da barraca que nem um tatu! O casal vizinho da minha barraca me convidou para jantar com eles, mas eu já havia jantado e acabei recusando.

As famílias ali no camping levavam suas varinhas de pescar e conseguiam se alimentar com deliciosas trutas! Vi também muitos cicloturistas com vara de pescar. Descobri que preciso saber pescar e limpar peixe!

 

No dia seguinte amanheceu pior, mais frio, mais vento e uma garoa fina gelada. Todas as roupas que eu tinha, coloquei! Fiquei meio que escondida, quase não sai da barraca. O tédio veio, mas comecei a despistá-lo com projetos da minha vida, sonhos, pesquisa e mudanças que desejo que ocorram neste ano de 2009. Ficava na verdade, me entretendo com meus próprios pensamentos.

No outro dia, continuava vento e frio, fui para estrada esperar o ônibus, queria ir para San Martin de Los Andes e de lá pegar a estrada que fosse para as fontes termais, Parque Nacional Lanin e Vila Rica.

O ônibus demorou a passar e eu estava quase congelando na estrada, devido ao vento que soprava gelado. Cheguei a San Martin e fiquei meio que frustrada, tudo muito caro, e não tinha ônibus que me levasse onde eu queira, somente agencia de turismo e daí o preço nada baixo. Senti uma falta danada da bicicleta. A bicicleta me deixa livre. Paciência pensei, vim de mochila e agora aguento as consequencias. Experiência Claudia, experiência!

 Achei um camping na cidade, o ACA paguei $30. O camping não era gracioso, um meio típico brasileiro. A manhã seguinte surgiu linda! Céu sem nuvens, um calor gostoso e então decidi que antes de ir pro Chile deveria tomar um belo banho de lago. Voltei pela rota dos lagos e desci no lago Espejo Grande, outro local com camping livre. Cheguei cedo e deu tempo para eu tomar vários banhos no lago e sol, curti mesmo. O problema que nesse camping o espaço para colocar as barracas era pequeno e tinha bastante gente, então tinha barulho, não foi uma experiência muito boa.

No outro dia resolvo voltar para Bariloche para pegar ônibus até Puerto Montt que de lá era mais barato. Retornei então para o camping La Selva Negra. Cheguei e já tinha subido a diária para $33! Acabei pagando o preço antigo, porque já tinha estado lá alguns dias antes. Não sei se é por causa da temporada ou a crise que fizeram os preços saltarem desse jeito. Achei a Argentina um tanto cara nesses dias.

No outro dia cedo estava eu indo para Puerto Montt, deixei a mochila cargueira no guarda volumes e fui só com a mochila de ataque. Pensava em só ir lá conhecer a cidade, dormir e retornar, porque o dinheiro que eu tinha dava para comprar a barraca que desejava e dormiria bem. Comprei a passagem de volta para Bariloche e também já deixei comprada a passagem de Bariloche a Buenos Aires que paguei mais barato que na ida, $196. Deixei um dinheiro guardado em Bariloche e fui com o suficiente, pelo menos eu pensava!

Senti já dentro do ônibus o clima de descontração do povo que vai para o Chile. Só tinha eu de brasileira e tinha de tudo ali, colombiano, francês, inglês, chileno, argentino, alemão. Que loucura e que lindo que é! Ficava pensando... Nossa o Alfredo, meu amigo, tem que vivenciar isso. Na fronteira da Argentina com o Chile houve uma longa espera, tinha muito movimento e demorou muito para atravessarmos. Não pode ingressar com alimentos frescos no Chile, então é bem demorado. Cheguei perto da imigração chilena, os guardas perguntaram quem é a brasileira que estava ali. Me identifiquei e um deles me disse que tinha muito apreço pelo Brasil, que ele gostava muito dos brasileiros. Fiquei bem feliz e agradeci. Depois ele começou a falar de futebol, do Dunga e começaram a rir. Dizendo que o Brasil tinha perdido pro Chile que eles iam ganhar novamente. Eu ali só rindo porque não sabia nada de futebol e muito menos do tal jogo que eles estavam falando. Vou ter que tomar umas aulas com a Laureci. Descobri que ir para a América do Sul sem saber da historia do futebol não é legal. Futebol também é cultura!

Atrasou muito a viagem e eu precisava encontrar a loja aberta para comprar a barraca e trocar os reais (meu grande erro). Cheguei tarde em Puerto Montt, já passava das 19h30min horas e na manha seguinte eu já tinha comprado a passagem para Bariloche e também para Buenos Aires. Não tinha como desmarcar tudo. Saí que nem louca para trocar os reais por peso chileno. Um chileno atencioso, Andréas, dentro do ônibus já havia me dado às dicas de onde ficava as casa de cambio e também a loja.

Dentro do terminal de ônibus havia uma casa de cambio, mas reais eles não aceitavam. Fui caminhando pelas ruas da cidade apreciando a beleza e no desespero de encontrar uma casa de cambio, rodei e achei uma que pagou muito mal pelos meus reais, super desvalorizou. Perdi dinheiro...

Já com os pesos chilenos em mãos fui atrás da loja, rodei, rodei e achei. O moço da loja, atende muito mal, nem abriu a barraca pra eu ver. Queria comprar uma Ferrino, mas não tinha e acabei comprando uma Marmot. Ele me deu desconto à vista e daí pensei o quanto eu sou atenciosa com os meus clientes. Jamais vendo uma barraca sem abrir e sem mostrar como funciona, a não ser que o cliente já saiba e esteja com  muita pressa. Fiquei triste com o péssimo atendimento da loja, mas feliz porque comprei a tal barraca. Em Puerto Montt os preços dos equipamentos são mais em conta, se passar por lá, compre!

            Sobraram 4mil pesos chilenos, perguntei se esse dinheiro dava para dormir, eles me disseram que não, mas dava para se alimentar. Em reais dava 16 reais, nem no Brasil você consegue pernoitar com esse valor!!

Voltei pra rodoviária, já estava começando escurecer, eram 22h00min. Ia me ajeitar num banco qualquer ali dentro e esperar o dia amanhecer e partir feliz da vida. Não estava com fome. Eis que de repente uma moça surgiu do nada na minha frente perguntando se eu queria hospedagem, brinquei com ela dizendo que até queria, mas tinha pouco dinheiro. Ela me perguntou quanto tinha e eu falei. Ela me disse que nao dava para hospedar com aquele dinheiro. Eu já sabia... Tinha uns trocadilhos em peso argentino, uns 12 pesos. Ela trocou pra mim e na soma dava cinco mil pesos, o que valia pra nós 20 reais. Eu disse pra moça que se chamava Nelda que ia ficar dormir na rodoviária, eu estava tranqüila, mas ela me alertou que ali fechava a meia noite e todo mundo ficaria pra fora, seria perigoso me roubarem. O lugar era meio sinistro mesmo, porto... Daí ela tentou ligar para uma amiga que tinha casa que poderia me hospedar por essa quantia. Nelda tão gentil me levou até a casa de sua amiga e dormir lá no quarto da filha do casal. Me senti em casa e fiquei imensamente grata .

Na manha seguinte estava embarcando novamente para a Argentina com destino Bariloche e Buenos Aires. Vi que o terreno é plano e que pedalar por ali é fácil. Não queria voltar para casa, para o Brasil, mas tava sem grana,.era necessário retornar. Cheguei a Buenos Aires e já consegui um ônibus para Puerto Iguaçu, paguei $200 num cama executivo, muito bom! Já havia dias que não tomava banho, estava me sentindo muito suja. Gosto do povo argentino, eles não ligam muito para aparência. Provavelmente valorizam outras coisas.

Cheguei a Foz do Iguaçu e fui logo pagar para tomar uma ducha, R$6,00. Liguei para minha mãe e perguntei se o dinheiro que eu estava para receber veio e ela me disse que sim. Resolvi não voltar para casa, iria tentar sacar a grana e adentrar pelo Paraguai, até Assunção pelo menos. Cheguei ao banco e não consegui sacar o dinheiro. Puxa, que pena, fui pra Cidade de Leste, comprei umas bugigangas e voltei. Peguei o ônibus para Londrina já noite.

Já confortavelmente dentro do ônibus, observei a entrada de um moço alto e bem diferente, um tanto exótico. Depois de ser gentil comigo por abrir a janela do banheiro veio sentar do meu lado. Conversa super agradável que ficamos a viagem toda acordados. É tão bom quando as pessoas não chegam perguntando aqueles chavões tipo, o que você faz. O rapaz, Daniel, me disse que cada um traz consigo o seu mundo, e que ao conversarmos com outras pessoas a gente entra no mundo do outro e acaba conhecendo vários mundos. Sábio esse menino, sábio. Minha viagem estava fechando de forma harmoniosa e eu feliz!

Cheguei a Londrina exatamente no dia certo, pois era o dia de escolha de vagas no estado, eu não poderia perder. Coincidência?

 

Relato de Cláudia Melatti/Cacau

 

Empresa de ônibus que faz Cambe a Buenos Aires  - Crucero Del Norte

Email de Nelda que possui hospedagem familiar em Puerto Montt :

Camping La Selva Negra - Bariloche fone:(02944)441013

Empresa de Onibus que faz Bariloche a Puerto Montt : Trans-Choapa, $80 Fone: (02944)422288


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